CPI da Saúde constata que Francisca Mendes funciona somente com 25% da capacidade

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Os membros da comissão constataram, ainda, a falta de profissionais, materiais para os procedimentos, equipamentos para exames de imagem e burocracia em contratos que atrasam os tratamentos de saúde na unidade

Manaus – O Hospital Universitário Francisca Mendes, no bairro Cidade Nova, zona norte da capital, está funcionando em apenas 25% da sua capacidade, de acordo com o deputado Wilker Barreto que participou da inspeção técnica da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), na manhã desta quarta-feira (15). A unidade de saúde terá 15 dias para apresentar planejamento de ações voltadas aos serviços médicos.

“Um hospital desse tamanho está funcionando com apenas 25% da sua capacidade. Coração não espera e o que é mais dolorido, é que nós escutamos de uma secretária, que há dinheiro em caixa. Vidas foram perdidas porque a Susam (Secretaria de Saúde do Amazonas) não priorizou essas vidas sendo burocrática, mas quando ela quer fazer corrupção ela é rápida”, falou o parlamentar.

A equipe de reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) conversou com pacientes e familiares que estão passando por dificuldade em conseguir tratamento no hospital, que é referência em tratamento cardiológico. Há mais de um mês internado aguardando uma cirurgia do coração, o cabeleireiro Smaily Teixeira denúncia o descaso com materiais hospitalares. “Sou acompanhado por duas médicas e elas já me falaram que a qualquer momento posso sofrer um mal súbito e morrer”, disse.

O cabeleleiro já havia feito o procedimento no coração há 10 anos e, na época, ficou apenas três dias na unidade. “Para você ver como está a saúde pública no nosso Estado! Há 10 anos fiz o mesmo procedimento e foi tudo bem e hoje, nesse governo do Wilson Lima, a saúde nunca esteve tão precária. Eu votei nele, acreditei nas mentiras que ele falava na TV, mas Deus vê tudo e ele ainda irá pagar pelo que está fazendo com a gente. Por que ele não sai lá do conforto dele e vê o que nós estamos passando aqui?”, indignou o cabelereiro.

Falta de profissionais e materiais

Os membros da CPI da Saúde constataram a falta de profissionais, materiais para os procedimentos cirúrgicos, equipamentos para exames de imagem e burocracia em contratos que atrasam os tratamentos de saúde na unidade. Além disso, a unidade recebe R$ 5 milhões por mês para o funcionamento, em contrapartida, o Hospital Delphina Aziz recebe do governo do Amazonas, R$ 20 milhões.

A questão orçamentária será pauta de investigação da CPI da Saúde, segundo o deputado Fausto Júnior. “Nós sabemos que o hospital tem um potencial de gasto por conta dos procedimentos que realiza muito maior que o Hospital Delphina Aziz. Então, como um hospital de uma complexidade inferior ao Hospital Francisca Mendes, gasta mais? Essa conta não fecha e nesse sentido nós vamos cobrar!”, relatou o parlamentar.

O diretor do hospital e a equipe técnica receberam os membros da CPI da Saúde, a médica Darcley Diaz, representante do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM). Segundo o presidente da CPI da Saúde, deputado Delegado Péricles, a direção do hospital terá um prazo de 15 dias para apresentar as ações para a retomada dos procedimentos cirúrgicos.

Nós conhecemos a realidade do hospital Francisca Mendes que está funcionando com muita dificuldade. Há uma fila muito grande de pacientes aguardando o procedimento cirúrgico, mas com a contratação direta de empresas, será possível segundo o diretor, retomar esses procedimentos cirúrgicos e ficou de entregar para a CPI da Saúde, no prazo de 15 dias, um planejamento para que se possa melhor a funcionalidade desta unidade de saúde. Vamos aguardar e iremos retornar para verificar”, comentou o parlamentar.

A diretora administrativa do Simeam, Darcley Dias, participou da visita técnica à unidade de saúde e pode constatar a precariedade dos serviços de saúde oferecidos aos pacientes. “É um descaso total, uma falência de boa vontade. Porque, mesmo com o recurso monetário se perdem vidas. Não pode se culpar a pandemia, porque essas demandas reprimidas já estão há muito tempo, as filas são enormes. Quando se tenta salvar a vida de alguém já é tarde”, explicou a médica.

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