Clínicas de diálise estão sem verba do Estado e atraso soma R$ 4,3 milhões

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Com a falta do repasse, pelo menos 1.092 pacientes renais podem ser prejudicados pela ausência de recursos para oferecer o tratamento adequado

Manaus – A falta de repasse do valor das sessões de hemodiálise ameaça o tratamento de 1.092 pacientes renais no Amazonas. As cinco clínicas de diálise que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), na capital, oferecendo tratamento de terapia renal substitutiva para filtrar artificialmente o sangue, não receberam os repasses referentes aos serviços prestados em março e abril deste ano, com atrasos de R$ 2.142.487,97 e R$ 2.136.402,83, respectivamente. Mesmo com as dramáticas condições de recursos, os estabelecimentos continuam atendendo pacientes com doença renal crônica – mas não podem garantir até quando conseguem manter.

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) alerta que o atraso no repasse do pagamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) pela Secretaria de Saúde do Estado (Susam) aos prestadores de serviço ao SUS está entre os problemas recorrentes na nefrologia. Muitos gestores chegam a atrasar em mais de 30 dias o repasse após a liberação do recurso pelo Ministério da Saúde – sendo que de acordo com a legislação, o pagamento deveria ser feito em cinco dias úteis.

Karla Petruccelli, sócia do Centro de Doenças Renais (CDR), que atende 243 pacientes renais crônicos, explica que os atrasos são recorrentes, pois nunca houve respeito à Portaria, mas desta vez a situação ultrapassou o limite. “Os repasses foram feitos de maneira regular pelo Ministério da Saúde, mas a secretaria de Estado reteve três competências. Tivemos que recorrer a empréstimos bancários para honrar nossos compromissos, inclusive com o Fisco”. Ainda segundo Karla, 18% dos pacientes da clínica foram contaminados com o Covid-19, o que elevou consideravelmente os custos com material de proteção e profissionais.

Marcos Alexandre Vieira, presidente da ABCDT, alerta autoridades e a sociedade quanto às crescentes dificuldades de acesso ao tratamento essencial à vida destes pacientes: “Nossa maior preocupação está ligada à menor oferta de tratamento à população, uma vez que os pacientes dependem única e exclusivamente das sessões de hemodiálise para sobreviverem.  A realidade que vivemos na diálise no Brasil é absolutamente incompatível com o sucesso do tratamento”.

O presidente da ABCDT ressalta que o quadro no Amazonas é agravado pela pandemia do novo coronavírus. Devido às particularidades do cuidado com pacientes que realizam a TRS, uma série de medidas precisaram ser adotadas nos casos de pacientes suspeitos ou positivos ao Covid-19, visando garantir as condições de segurança aos profissionais que atendem estes pacientes fora do ambiente hospitalar e reduzindo o risco de novas contaminações.

Viera explica que os procedimentos visam propiciar o adequado tratamento à população dialítica, já considerada de alto risco e constituída em grande parte por pacientes diabéticos e com comorbidades que precisam manter seu tratamento de forma crônica em todo o País.

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